Sobre a caminhada-noturna-pacífica-legalista de SP

O que foi esse 5º ato contra o aumento da passagem? Ou como disse um amigo meu, como quinta-feira virou segunda-feira? Apesar de mais pessoas nas ruas a manifestação estava despolitizada, o foco que é o passe livre foi diluído completamente, tudo parecia uma festa ridícula de caras pintadas onde muitxs* (que inclusive não pegam ônibus e metrô, vale reforçar) saíram do conforto de seus lares pela primeira vez para tirar o foco da causa, fazendo o que a Veja, uma das grandes referências do conservadorismo, já havia sugerido em uma de sua edições recentes e transformando o ato em uma caminhada-noturna-pacífica-legalista contra a corrupção e pelo amor à pátria, com bandeiras do Brasil e cantando o hino nacional. Aplaudiram a polícia. Aliás a manifestação não precisou de ação policial porque xs mesmxs que saíram às ruas policiaram xs manifestantes o tempo todo, vaiando e gritando “sem vandalismo” quando alguém quis fazer uma pixação em protesto contra o capitalismo, esse mesmo que tanto beneficia a classe média e seus privilégios, que saíram do ato para tomar sua cerveja importada tranquilamente – e com muita comemoração e alegria, claro! – em algum bar da Vila Olímpia.

Essxs manifestantes foram impedidxs pelos reaças de protestar da forma que queriam, pois afinal de contas o bairro burguês delxs com seus bancos e lojas de automóveis caros não poderia ter expressões que contrariassem seus interesses – mesquinhos e opressores – de classe. E são essxs manifestantes que tomaram bomba de gás lacrimogêneo, gás de pimenta e bala de borracha todos os outros dias, afim de defender a causa do passe livre, sem abstrações como “contra a corrupção” que na verdade só servem para despolitizar e diluir as reivindicações.

992993_653735791322148_447163038_nÉ claro que não se trata somente de passe livre, ou de 20 centavos. Mas também não se trata de ser “contra a corrupção”, “viva o Brasil” ou coisas do tipo. Me falaram inclusive que viram um cartaz escrito “Brasil: ame-o ou deixe-o” – e pra quem não lembra esse era justamente o slogan utilizado pela ditadura militar em uma estratégia muito clara de manutenção desse regime repressivo. Essas reivindicações nacionalitas como esse movimento são reacionárias, porque as fronteiras políticas e artificiais dos países foram criadas com a intenção de separar os povos, como mostra bem a máxima “dividir para conquistar”. Estamos em uma luta anticapitalista, que dentro da lógica global do Kapital têm influência, inclusive mas não somente, no transporte público. O movimento contra a corrupção faz parte de uma luta pela manutenção da estrutura de classes, desse sistema que beneficia poucxs através da exploração de muitxs.

O que me alivia de certa forma é que, como bem sabemos que acontece, muito provavelmente essa classe média reacionária que transformou a manifestação em um dia de caminhada noturna por São Paulo se sentirá com “missão cumprida” e não participará de mais nenhuma manifestação. Melhor assim.

ARRIBA LXS QUE LUCHAN!

 slavoj

* a letra ‘x’ é utilizada para romper o sexismo linguístico que omite o gênero feminino e coloca o masculino como sujeito único universal, substituindo a letra ‘a’, ‘e’ ou ‘o’.

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  1. #1 por Silas Macedo em 18/06/2013 - 10:24 am

    Nossa eu concordo com cada palavra que vc disse, muito bem expressado!

  2. #2 por pedro Calzavara em 18/06/2013 - 12:02 pm

    Que lixo de texto. Quer dizer que se trata de um movimento puramente esquerdista? tá explicado, a foto com um personagem de bandido pra representar gente que pensa como você. O Brasil é de todos, direita, esquerda, pobre, rico… Junte-se povo, independente do seu ponto de vista político, estamos todos insatisfeitos.

  3. #3 por Mabel em 18/06/2013 - 3:28 pm

    “Me falaram inclusive que viram um cartaz…” Gostei da fonte.

  4. #4 por Victor Galdi em 18/06/2013 - 4:42 pm

    Concordo. Pensei o mesmo ontem.

    Porém, bela bosta este X aí.

    Femismo barato!

  5. #5 por Gritos Libertários em 18/06/2013 - 4:53 pm

    Esclarecendo:
    Mabel, quem me disse foi uma amiga, que aqui não faz sentido dizer o nome.
    Victor: femismo não existe, essa é apenas uma estratégia que machos como você usam para nos deslegitimar e manter seus privilégios. Foda-se a supremacia masculina!

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